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20 de janeiro de 2016

A magia do olho no olho – Tatá Vianna

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“Uma boa conversa é como o café preto; estimulante e tão difícil de dormir depois.”

                                                                                      (Anne Morrow Lindbergh)

 

Neste último final de semana, tive a oportunidade de me encontrar com alguns amigos e constatar como uma conversa profunda e “olho no olho” se tornou algo raro, quase exótico, no mundo de hoje.

É incrível perceber como a tecnologia nos distancia deste tipo de conversa.

Podemos ter a impressão de que conversamos com um grande número de pessoas ao mesmo tempo, mas não na profundidade que gostaríamos. Na maioria das vezes, só tratamos de trivialidades – tempo, política, piadinhas, futebol (ai, ai)!

Eu mesma, que sempre gostei de conversar (e muito) com as pessoas pessoalmente, confesso que me deixei levar pela onda tecnológica e nomeei inúmeros grupos para a minha rede de relacionamento (academia, amigos de infância, amigos do réveillon, amigos do carnaval, amigos SP, amigos RP, amigos BH, amigos RJ, família, grupo de trabalho e por aí vai…). Cada grupo com a sua “curadoria” e profundidade de temas, é claro!

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Após este último encontro, eu percebi o quão primordial é recuperar o saudável hábito de conversar presencialmente com as pessoas. Demonstrar interesse e manter os ouvidos atentos, procurando entender de verdade o momento de vida daquela pessoa – suas ideias, planos, desejos, sentimentos, inquietações. Aos poucos, nos damos conta de que existem camadas de profundidade no encontro presencial que nenhuma tecnologia é capaz de replicar (ainda).

Por ter mais profundidade, o “olho no olho” pode nos revelar até algumas surpresas. Como por exemplo, aquela pessoa que estava no seu grupo da Faculdade no Whatsaap, mas com quem você jamais pensaria em chamar para uma conversa individual. De repente, você pode vir a descobrir em um reencontro de ex-alunos que, com o passar dos anos, aquela pessoa tem muito mais a ver com você do que o resto do pessoal. Você descobre que aquela pessoa, antes chata e isolada (conforme seu pré-julgamentos dos tempos da faculdade), agora segue uma filosofia de vida parecida com a sua e gosta dos mesmos temas que você. Algo que dificilmente seria revelado em um simples bate-papo eletrônico.

Encontrar as pessoas no mundo real também é uma excelente fonte de aprendizado. Para nós mesmos e para o nosso interlocutor. Ampliamos a nossa percepção e exercitamos a empatia.

Um encontro que vale a pena é aquele no qual nos sentimos transformados, nutrido de novas ideias, esperanças e com uma visão diferente sobre nós mesmos e sobre o mundo.

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Todos nós precisamos urgentemente refletir sobre como temos distribuído nosso tempo para encontrar as pessoas no mundo real e qual tem sido o nível destas conversas – pois mesmo no encontro presencial o assunto pode ser pobre e vago, infelizmente.

Então eu te convido, querido leitor, a dedicar o tempo que você gasta enviando ou respondendo as mensagens, para convidar seus familiares e amigos para uma conversa “olho no olho” – Pode ser em um bar, restaurante, clube… O lugar pouco importa. O que importa é a sua intenção – a de promover um encontro no verdadeiro sentido da palavra. Profundo, sincero e nada superficial.

Tenho certeza de que, se essas pessoas realmente se importam com você, elas irão enriquecê-lo com seus conhecimentos e experiências e te ajudarão a encarar a vida com um novo olhar.

Ah, já ia me esquecendo! Faça um esforço para que, durante este encontro, manter o celular “quietinho”! Afinal, estar presente significa estar inteiro – sem qualquer ruído ou distração.

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E aí, caro leitor, você se encontra preparado para este desafio “olho no olho”? Está preparado para elevar a sua definição de “encontro”? Torço para que você possa fazer deles experiências inesquecíveis!

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