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19 de junho de 2015

Amizade: o que é, do que se alimenta, de onde veio, para onde vai? – Tatá Vianna

amizade foto capa

Qual o conceito de amizade?

É fundamental olharmos com mais cautela a forma como temos conduzido nossas amizades pessoais e virtuais.

Diz a filosofia chinesa que amizades verdadeiras são como árvores de raízes profundas: nenhuma tempestade consegue arrancar.

Mas, o que eu percebo hoje em dia, é que as amizades verdadeiras estão em “crise”.

Provavelmente, uma boa parte de vocês leitores já se decepcionou com um ou outro amigo, assim como eu já me decepcionei com vários, o que me deixou uma pessoa mais seletiva quando o assunto é confiar.

Quando eu digo confiar, quero dizer poder se abrir, conversar e  confidenciar-se com outra pessoa, sem temer que, algum dia, ela use o que sabe da sua vida contra você.

Como disse Friedrich Nietzsche: “A falta de confiança entre amigos é pecado que não pode ser repetido, sob pena de ser irremediável.”

Temos a “mania” de enxergarmos como amigos todos aqueles que conhecemos ao longo de nossas vidas: os colegas da escola, da faculdade, do clube, da academia, do trabalho etc.

Porém, as verdadeiras amizades necessitam de cultivo, tempo e afinidade. Ultrapassam o discurso baseado em amenidades e abrangem questões mais profundas e pessoais.

Como já indagou Sócrates em seu diálogo platônico consagrado à amizade, eu refaço a pergunta a você, caro leitor: “Mas, este que você considera seu amigo, será mesmo seu amigo?”.

amizade - foto1

Hoje em dia, as redes sociais nos transmitem a falsa impressão de que temos muitos amigos, somos populares, participamos de tudo e estamos ligados 24 horas nos acontecimentos da vida dos nossos amigos. Será verdade? Ou será que, por trás de uma pessoa sorridente em uma viagem ao Caribe, existe um choro contido por uma traição ou uma doença grave na família? Ou uma insatisfação com o rumo da vida? Você, como “amigo”, o ajudará realmente dando um like na foto? Isto é o que ele realmente necessita? Não fica difícil concluir, portanto que, na maioria das vezes, a sua conexão — não com a rede, mas com seu amigo — pode ser superficial e instável. Digo instável porque as amizades nas redes sociais são feitas e desfeitas em apenas um click. São amizades baseadas no distanciamento físico, o que nos facilita entrar em contato com elas quando sentimos vontade, mas também nos permite afastá-las quando julgamos necessário.

Isso faz com que criemos uma amizade sem intimidade, em que sempre nos mostramos felizes, de bem com a vida e sem problemas. Todavia, quando não estamos bem, não nos sentimos íntimos o suficiente para nos abrir e mostrarmos nossa real fraqueza. O máximo que conseguimos são comentários rápidos e superficiais sobre algo que postamos.

Ao longo da vida, vamos colhendo novos amigos e, através deles, nos lapidamos, nos conhecemos e nos enriquecemos. Em resumo, a cada nova amizade, descobrimos mais sobre nós mesmos. E esse é o objetivo da jornada que, no fim das contas, é nossa e intransferível. Traições, decepções e quebra de confiança, infelizmente, fazem parte do jogo do aprendizado. O importante é saber que fizemos a nossa parte e abandonamos o lugar comum, carregado de superficialidade e indiferença.

Acredito que nos dias de hoje o conceito de amizade precisa urgentemente ser resgatado conforme a filosofia chinesa e, ao mesmo tempo, olharmos com mais cautela a forma como temos conduzido nossas amizades virtuais.

Precisamos resgatar aquele amigo que insiste em dar conselhos, que analisa a nossa situação de todos os ângulos até encontrar a melhor maneira de nos ajudar, mesmo sabendo que corre o risco de levar uma “patada”, ou até mesmo ter o seu conselho ignorado. Ou aquele que possui a capacidade de ouvir calado, pois desconfia que o que de fato queremos é simplesmente desabafar. Ou aquele que reconhece nosso estado de espírito mesmo quando não dizemos nada. Afinal, são os atos, as palavras e atitudes que sustentam e consolidam a amizade ao longo do tempo.

Então, eu te pergunto querido leitor: Como você tem conduzido as suas amizades pessoais e virtuais?

Convido você, amigo leitor, a sair para o plantio e fincar raízes, pois nada substitui o encontro, o olho no olho, a confiança e, principalmente, a convivência. Tenho certeza de que será recompensador!

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