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16 de março de 2016

Ira(do) Dia! – Tatá Vianna

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“Aquilo que chamamos felicidade consiste na harmonia e na serenidade, na consciência de uma finalidade, numa orientação positiva, convencida e decidida do espírito, ou seja, na paz da alma”.

                                                                                                                  (Thomas Mann)

 

Imagine uma situação em que você tem total controle de seu temperamento e suas atitudes, sem nenhuma agitação e com absoluta serenidade, ou seja, completo domínio próprio.

Agora, imagine que todas as pessoas estivessem nessa situação. Seria o paraíso na Terra, não seria?

Um mundo de harmonia, serenidade e de felicidade como nos ensina o escritor alemão Thomas Mann.

Mas as coisas, infelizmente não são assim. Desde os tempos mais remotos, o contrário da serenidade e da mansidão, a ira, está presente no comportamento humano e nas religiões.

De todos os pecados capitais, ela pode ser considerada a mais mortal, pois a ira cega o homem, podendo levá-lo ao total descontrole emocional, a cometer atos de violência, crueldade ou opressão contra si ou contra os outros. Pode ter consequências trágicas, até mesmo envolvendo riscos à vida.

A ira é o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. Faz com que a pessoa sinta um enorme desejo de destruir aquilo que provocou sua fúria, atentando não apenas contra os outros, mas também contra a pessoa que deixou o ódio tomar conta do seu coração.

A ira cega a consciência e faz a pessoa perder o autodomínio.

Para escapar dela, encontramos na mansidão e na serenidade as respostas para obter um maior autocontrole sobre nossas atitudes e temperamentos, como sugere o raciocínio do escritor alemão.

Este estado de espírito nem sempre é fácil de atingir e poucos privilegiados o possuem, mas certamente precisamos desenvolvê-lo de todas as formas possíveis, seja através do fortalecimento da fé, da meditação, da terapia, do amor, das boas amizades, da caridade, entre outros.

O Apóstolo Paulo, em trecho da Bíblia Sagrada dizia que a mansidão é um fruto do Espírito. Mas para a grande maioria, infelizmente, a mansidão ainda é vista como sinal de fraqueza!

E por que ela é vista como sinal de fraqueza? Porque diante de uma situação no qual a pessoa é submetida ao stress, ao invés dela reagir como a maioria de nós reagiria, com agressividade, ela age com cautela e tranquilidade.

Essa atitude, com certeza não é fraqueza, é domínio, tanto de si mesmo quanto da situação que o envolve.

mansidão

Mas será que é possível atingir esse fruto do Espírito? E como combater a fúria oculta presente no nosso dia a dia?

Encontramos a ira por toda a parte. Ela está tão difundida na sociedade que se tornou um sério problema para a humanidade e principalmente para o nosso país.

A fúria, a ira, se tornou uma espécie de sinal vermelho para nós, que se apresenta quando não conseguimos lidar bem com algumas pessoas ou situações que nos afetam profundamente.

sinal vermelho

Nestas situações deparamos com o desejo da reação imediata e algumas vezes desmedida. É o famoso “bateu, levou”. Algumas pessoas quando ofendidas, ou quando acham que foram ofendidas ou provocadas, normalmente sentem a necessidade de tirar satisfações ou reagir.

Quem nunca fez isso quando se sentiu ofendido?

O “bateu, levou” está no trânsito, nos jogos de futebol, nas manifestações políticas e principalmente na internet, onde as pessoas por estarem protegidas do outro lado da tela, não refletem (às vezes de propósito) sobre as consequências dos seus atos.

Se pararmos para analisar, podemos identificar também no nosso ambiente de trabalho alguns exemplos que mostram esse pecado.

A ira pode surgir naquelas pessoas que quando confrontadas ou questionadas, se sentem ameaçadas. Em sua maioria, são pessoas gananciosas que quando desejam conquistar algo, utilizam-se da meticulosidade, da trapaça, da dissimulação, da violência, da força, entre outros como uma maneira de atingir seus objetivos e se apropriar daquilo que deseja. Por exemplo, uma pessoa pode ficar com raiva porque não bateu sua meta e essa raiva tomar tamanha proporção, que ela começa a estourar com colegas, chefe ou clientes, se desviando ainda mais das suas metas.

Já nos relacionamentos, a ira pode vir atrelada a luxúria.

Ao descobrir que foi traída, uma pessoa pode se revoltar de tal forma, principalmente devido ao ciúme doentio, indignação ou autoestima ferida, que desperta uma fúria tão intensa que pode levar a atitudes descontroladas de violência física, espancamento, podendo chegar até mesmo em assassinato ou suicídio.

O abuso é outra forma de ira ligada à luxúria, que acontece quando uma pessoa se descontrola de tal maneira que parte para a violência sexual, violência psicológica ou violência física, por não conseguir oprimir sua paixão doentia e canalizar sua fúria de outra maneira.

Podemos dizer que por trás da ira, conseguimos identificar outros sentimentos – o medo e a insegurança: de perder espaço ou posição no trabalho, de errar, de ser trocado por outro quando o relacionamento não está bem, de se expressar de maneira errada, de ser visto como fraco. E quando isso acontece, a pessoa acaba por atacar a outra como forma de defesa.

Voltando e respondendo a pergunta feita no início do texto, é possível sim atingir o fruto do Espírito segundo o Apóstolo Paulo. Mas como fazer isso?

Acredito que podemos desenvolver a mansidão e a serenidade, através do autodomínio, pois sem nos conhecermos de verdade e sem termos controle das nossas ações e emoções, jamais desenvolveremos o nosso equilíbrio e o nosso domínio pessoal e emocional.

Isso implica em nos responsabilizarmos pelas nossas escolhas e atitudes sem jogar a responsabilidade em cima do outro quando falhamos. Também faz parte saber aceitar e reconhecer nossas fraquezas e imperfeições, pois todos nós temos defeitos que precisam ser questionados, analisados e corrigidos na medida do possível.

E tudo isso envolve mudanças – no nosso modo de agir e pensar, pois quando mudamos internamente é revelado exteriormente o resultado desse aperfeiçoamento.

Como dizia Aristóteles: “Qualquer um pode irritar-se, isso é fácil. Mas irritar-se com a pessoa certa, na hora certa, da maneira certa e pelo motivo certo, decididamente, não é fácil”.

Então eu te pergunto, querido leitor: Como você tem lidado com as situações da sua vida que acendem o seu sinal vermelho? Tem ideia de onde pode começar para não ficar à beira de um ataque de nervos?

Lembre-se que a ira acumulada pode provocar stress e até desencadear problemas de saúde! Praticar alguma atividade física ou algum tipo de terapia pode ajudá-lo nesse processo de autodomínio! No meu caso, por exemplo, a meditação alinhada à terapia tem me ajudado bastante!

 

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