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3 de fevereiro de 2016

Menos gula, por favor! – Tatá Vianna

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“Existe o apetite pela comida, pelo poder, pelo sexo, etc… Gula é um pecado democrático”

                                                                                                  (Luiz Fernando Verissimo)

 

Atualmente, está cada vez mais explícito o fato de muitas quererem mais do que precisam e já possuem.

Chegam a ter um desejo desmedido – uma verdadeira obstinação – para o “ter” e “possuir”. Não só em relação a coisas, mas também pessoas.

Muitos nem disfarçam este tipo de comportamento, e tentam inclusive nomeá-lo como uma virtude. E a denominam ambição. Mas será que é bem assim?

Enxergando de forma sutil, este comportamento é na verdade um vício que pode aparecer tanto nas relações pessoais como profissionais. Ele pode estar associado à falta de autoconhecimento e descrença no potencial pessoal, buscando uma compensação através do desejo de ter cada vez mais.

Quem não conhece este tipo de pessoa?

Pessoas que tem ambição por mais poder, mais bens, mais posses, mais dinheiro, mais status, mais amores, mais amizade, mais atenção, mais, mais – sempre mais!

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Para elas, a voracidade é quase insaciável, e por mais que já tenham o suficiente, estão sempre precisando de mais: mais do que podem assimilar, mais do que podem usufruir e mais do que realmente precisam para uma vida digna e próspera.

É uma compulsão sem limites, onde a pessoa foca a sua vida nesta busca constante e sem fim e se esquece de que, mesmo conquistando tudo o que deseja, o sentimento de vazio dentro dela continua.

O que ela não percebe é que esse vazio nunca será preenchido com mais comida, mais bebida, mais dinheiro, mais compras…

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Um exemplo interessante de desejo insaciável por possuir cada vez mais é a história do rei Midas.

Midas ajudou o mestre de Baco, um deus da mitologia. Em troca da ajuda, Baco concedeu a Midas um desejo. Midas, então, desejou que tudo o que ele viesse a tocar se transformasse em ouro. Midas já era rico e, com o novo dom, pensou que facilmente se tornaria o homem mais rico que já existiu. O problema era que tudo que tocava – TUDO mesmo – se transformava em ouro: Midas ia comer e a comida virava ouro; ia tomar banho e a água virava ouro; ia se deitar e sua cama virava ouro.

Midas conquistou o que queria – estava ficando cada vez mais rico – mas perdeu o essencial para a sua simples existência!

Podemos nos transformar em Midas quando passamos a cobiçar muito mais do que já temos, desmedidamente. Estaremos nos perdendo na gula: “engolindo sem mastigar” e sem sentir o sabor das nossas pequenas e grandes conquistas.

A gula atua em muitas frentes: através da ansiedade de comer muito mais do que o saudável, o necessário e o prazeroso; pela busca compulsiva pelo poder em suas várias formas; pela busca de riqueza desmedida; pela busca compulsiva de conhecimento intelectual.

Controlar nossos impulsos e a vontade de querer sempre mais não é fácil – pois estamos lidando com escolhas que no início soam como um sacrifício – mas quando compreendemos que estas escolhas fortalecem nosso livre arbítrio e nos tornam menos escravos de impulsos, começamos a notar resultados gratificantes e transformadores.

Acredito, sinceramente, que o vazio que uma pessoa sente por não realizar suas potencialidades, pode ser preenchido a partir do momento que ela toma consciência de que deve assumir a sua condição e viver com o que realmente é necessário para uma vida saudável e feliz, ou seja, deixar a gula e a cobiça de lado e aprender a buscar a virtude da temperança, que nada mais é do que a busca pela modéstia e equilíbrio.

O papa João Paulo II nos ensinou: “O homem temperante é aquele que é senhor de si mesmo, aquele que em que as paixões não tomam a supremacia sobre a razão, sobre a vontade e também sobre o coração…”

Então eu te pergunto querido leitor: Como tem lidado com o “Midas” que habita dentro de você?

Lembre-se: pratique sempre a temperança! Assim, você estará preparado(a) para o dia em que Baco resolver lhe fazer uma visita!

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