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8 de março de 2016

Mulheres primeiro! – Tatá Vianna e Daniel Vianna

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Apedrejadas no tempo de Cristo.

Julgadas como “bruxas” e queimadas nos tempos da Inquisição.

Dependentes, reprimidas e frágeis até meados do século XX.

Mais atuantes e independentes, mas ainda com muitos desafios neste início de século XXI.

Poderíamos, nestas quatro sentenças, enxergar de forma rápida e simplista a trajetória das mulheres ao longo da História. Seriam, entretanto, insuficientes para descrever toda dor, sofrimento e humilhação a que foram submetidas (e ainda são). Oficializado pela ONU apenas em 1975, após anos de lutas e reivindicações, o Dia Internacional da Mulher sempre traz a tona as memórias, dores e também uma revisão sobre o papel da mulher e o quanto ainda precisa ser feito para que consigam igualdade e respeito.

Ao longo de nossa evolução, é inegável constatar que, durante, na segunda metade do século XX, houve o maior salto em relação a direitos e reconhecimento do novo papel da mulher na sociedade, cada vez mais ativa e menos dependente do homem. Entretanto, essa evolução não foi uniforme – basta olharmos para diversos países africanos e árabes e mesmo em certos núcleos sociais no Brasil, para concluirmos que o desrespeito, indiferença e a “coisificação” da mulher continuam bem vivos. Seja em casa, no trabalho ou na rua, milhares de mulheres ainda sofrem com assédios morais, preconceitos e com a violência física, e muitas não encontram a coragem necessária para tomar uma atitude e se posicionar, preferindo o silêncio e a resignação. Pressão psicológica, medo, falta de segurança própria e dos filhos criam os ingredientes para este verdadeiro “calabouço” feminino. Adicione a isto a morosidade da justiça brasileira e você conseguirá enxergar um pouco mais da escala dos desafios. Não são poucos, definitivamente.

Segundo artigo recém-publicado no jornal Estado de São Paulo (link) existe uma denúncia de violência contra a mulher no Brasil a cada 7 minutos. Estes números assustam e nos lembram de que não podemos simplificar o problema, ou dizer que existe um alarde ou “xilique” por parte de grupos feministas – que fazem o seu papel de alertar e expor o problema. Tampouco é produtivo desviar da questão central e apontar para o comportamento de algumas mulheres que “incitariam” os homens a cometer tais violências, pois cairíamos em uma preconceituosa associação do uso da sensualidade e até mesmo da vulgaridade como modus operandi feminino (lembrando, por exemplo, que programas televisivos e algumas campanhas publicitárias, principalmente de “certas bebidas”, contribuem há décadas para reforçar esta ideia no imaginário coletivo).

Infelizmente, o processo de conscientização não se impõe à força. É individual e subjetivo. Dessa forma, algumas pessoas vão parar para ouvir e refletir. Outras simplesmente não vão mudar de atitude do dia para a noite. Para viver em sociedade, temos que aprender a aceitar todas estas variáveis e que as coisas talvez não caminhem na velocidade que desejamos. Mas é importante estarmos atentos para não cairmos em armadilhas, minimizando, generalizando ou desdenhando de problemas sociais só porque eles não nos afetam diretamente. Aos poucos, na medida em que procuramos enxergar para além da cortina de fumaça, e olhando com mais atenção para dados concretos do que para falácias ou “achismos”, descobrimos que, na verdade, tudo nos afeta e que a omissão nunca poderá coexistir com a harmonia social que procuramos.

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Queremos que você, querido (a) leitor (a), possa refletir de verdade sobre estes temas neste Dia Internacional da Mulher. Na verdade, se também puder refletir durante os outros dias do ano também é válido!

Que você, independentemente do sexo, possa fechar os olhos e agradecer a todas as mulheres que te acompanharam durante a vida e que te encheram de carinho, ternura, amor e cuidado.

Hoje, afinal, é o dia delas!

 

 

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