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9 de agosto de 2015

Pai 2.1 – Tatá e Daniel Vianna

Pai 2.1 - foto destacada

O que é ser pai no século XXI? Quais os desafios? Quais as ferramentas? Quais os métodos? Talvez a resposta para cumprir bem este papel no novo milênio esteja mais perto do que você imagina…

“Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de sentir-se protegido por um pai”. Sigmund Freud.

Poderíamos, com certa segurança, adicionar à citação de Freud, o amor e colo da mãe como uma necessidade fundamental da infância. Mas este texto não é sobre as mães, é sobre eles – os pais.

Pessoas de carne e osso, sobre as quais pairam também simbolismos: primeiramente do senso de proteção, como lembrou o pai da psicanálise. Mas também são símbolos da provisão, da atitude, da força (associada à coragem para o enfrentamento do mundo) e, claro, da transmissão dos conselhos e das lições aprendidas aos filhos. Não à toa, os filhos os encaram como verdadeiros super-heróis durante a infância!

A referência paterna é tão forte e necessária que as crianças a buscam, mesmo na ausência do pai biológico.

Pais postiços, pais improvisados, mães que às vezes tem que cumprir os dois papéis. As situações, na sociedade atual, são muitas. Mas o símbolo é único. E, neste novo milênio, novos desafios surgem para, mais uma vez, reavaliarmos o papel do pai na formação dos seus filhos.

Um valor de extrema relevância para um pai, embora pareça óbvio, é a responsabilidade. A consciência de que, diante de qualquer atitude demonstrada ao filho, ainda criança, poderá marcá-lo pelo resto da vida. Para o bem e para o mal.

 

Conviver com esta ideia na cabeça pode ser assustadora e inclusive acovardar muitos que pensam em se tornar pais ou ainda, tornar demasiadamente mansos os que já são. Mas não esqueçamos que, como seres humanos, somos todos imperfeitos. Fatalmente erros serão cometidos.

Pai 2.1 - foto 1

O lado bom é que, sabendo deste “pequeno detalhe”, abre-se um convite aos pais para que também possam aprender com os seus filhos. A complexidade do papel não deixa escolha a não ser abraçar a humildade. Pois a relação entre pai e filho, mesmo quando este ainda é uma criança, não pode e não deve ser uma via de mão única.

Escutar e prestar atenção ao comportamento dos filhos podem fornecer enormes pistas sobre suas reais necessidades. Se os pais, por outro lado, se fecham em sua indiferença ou se cercam de teimosia e se mantém fiéis às suas próprias certezas do que “é correto”, podem estar abrindo uma pequena ferida neste relacionamento e, nesta incompreensão, acabam não fornecendo o que lhes é demandado, podendo passar de herói a vilão aos olhos do filho.

Acompanhada da responsabilidade, a coragem também é fundamental. Coragem para transmitir os bons valores, independente do que está em voga no mundo que nos cerca. E de reforçá-los agindo de acordo com eles! Servir de exemplo, mesmo em horas de aperto. No mundo de hoje e, principalmente em nosso país, tal atitude ganhou um enorme senso de urgência, sobretudo porque o relativismo generalizado se tornou mais um enorme desafio para a educação das nossas crianças e jovens.

A coragem também entra em cena quando o pai permite que o filho aprenda através do sofrimento e da frustração. Ao enxergar o sofrimento do filho, diante de uma determinada situação, percebe que a mesma pode lhe fornecer um grande aprendizado. Desta forma, não interfere. Apenas observa, a distância segura, o desfecho das coisas.

Em um mundo cada vez mais conectado, onde pais observam que, cada vez mais cedo, seus filhos estão sendo expostos a todo tipo de informação (muitas vezes inadequadas) pelos meios de comunicação, redes sociais e pelos próprios coleguinhas, tentar evitar essa exposição a temas indesejados a qualquer custo pode levar a uma paranoia – vitimando tanto o pai como a criança. Uma relação transparente, onde se compreenda claramente os mecanismos de ação e reação talvez seja um caminho a seguir – e, assim, promover o amadurecimento e a própria autenticidade da criança/jovem.

A sensibilidade complementa a responsabilidade e a coragem. Sensibilidade para enxergar o filho como um ser individual e não como propriedade. Entender a sua natureza. Muitos pais tendem a enxergar os filhos como sua versão em miniatura, desta forma já traçam um roteiro pré-definido para suas vidas.

Esquecem-se, convenientemente, de que cinquenta por cento da carga genética daquele ser veio da mãe (e, é claro, de inúmeros antepassados, cada qual com a sua parcela) e que, muitas vezes, o filho deseja (e precisa) seguir seu próprio caminho.

O desrespeito à essência do indivíduo (que, se tiver uma postura passiva, pode nem se dar conta de que está sendo vítima) acaba por minar as suas potencialidades. Torna-se, por fim, um clone de um pai imaturo. Este, por sua vez, perde a chance de conhecer uma nova percepção sobre a vida que aquele filho poderia vir a lhe oferecer. Oportunidades de aprendizado perdidas pelas duas partes.

Neste novo milênio, vivemos um momento de rompimento de velhos padrões. Nada mais oportuno, pois estes padrões antigos não estavam conseguindo responder à altura dos desafios que o mundo vinha nos impondo.

É importante entender como o papel do pai tem o poder de moldar a sociedade em que vivemos – com as características boas e ruins que ela apresenta.

Uma coisa é certa: não adianta os pais trabalharem por um “mundo melhor” para os seus filhos se não se preocuparem também em deixar filhos melhores para cuidar deste “mundo”.

A reflexão que fica, caro leitor (pai ou não), é como podemos escapar dos clichês existentes na relação pai e filho: do pai herói na infância, vilão na adolescência  e uma mistura destes dois papéis na vida adulta? Como amadurecer esta relação face aos novos desafios que o planeta e a sociedade nos apresentam?

Estas perguntas talvez não possam ser respondidas por formulações lógicas e complexas. Elas começam a ser respondidas dentro de nós, através de atitudes bem simples, honestas. Ditadas pelo coração.

pai 2.1 - foto 2

Comece hoje, abraçando seu filho, olhando para ele como uma bênção. Talvez, neste olhar, as respostas venham quase que automaticamente!

Nossos sinceros parabéns a todos os pais deste planeta! Vocês merecem!

PS: Nossos sinceros agradecimentos aos nossos queridos pais. Pelo amor que nos deram. Pela formação, transmissão de valores, exemplos. E, claro, pela paciência! :)

Gostaríamos também de agradecer aos amigos (e pais): Victor, Tiago e Alexandre, que nos ajudaram a entender quais os desafios que enfrentam no papel e também as lições que consideram fundamentais para que seus filhos se tornem melhores pessoas!

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