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2 de março de 2016

Perigo! Luxúria à vista! – Tatá Vianna

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“O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo”.

                                                                                (Clarice Lispector)

Na história da humanidade, poucas forças foram tão poderosas na condução de civilizações e do comportamento humano quanto a luxúria. Segundo muitos historiadores, ela foi um dos principais fatores para a queda do Império Romano, acelerando sua degradação moral e ética. No nível individual, o mesmo fenômeno ocorre: o indivíduo que é tomado pela luxúria passa a ser guiado em pensamentos e atitudes que, se não forem observados e tratados a tempo, o levam à sua própria destruição, atingindo diretamente a qualidade dos seus relacionamentos e a sua capacidade de discernimento. Mas seria possível lutar contra essa força sendo ela tão poderosa e visível na sociedade contemporânea?

No extremo oposto da luxúria está a castidade, virtude almejada por diversas crenças religiosas e associada à virgindade antes do casamento, à fidelidade conjugal e à abstinência da prática do sexo individual, tida como um exagero nos dias atuais. Quando analisamos sob outra perspectiva menos radical, podemos identificar na castidade uma fidelidade com relação a valores e princípios. A castidade seria a forma extrema de superar o vício e transcender os “prazeres da carne”. Mas na visão da maioria, é também tornar-se “careta”!

Dizia Aristóteles que a virtude é um meio termo entre dois vícios. Em um dos extremos, reside o excesso no outro, a carência. No tão falado e procurado caminho “do meio”, sugerido por Aristóteles e pelas antigas religiões, residiria o destino desejado por onze em cada dez buscadores espirituais.

Mas será que tal caminho existe de fato? Seria mesmo possível atingir este estado de consciência onde se encontra o equilíbrio entre o prazer extremado e a castidade?

Talvez um grande estímulo para tomarmos mais cuidado e revermos nossos comportamentos seriam analisar mais a fundo o lado traiçoeiro da luxúria e as consequências que ela pode trazer à nossa vida. 

Na luxúria, encontramos o desejo passional e egoísta por todo prazer sensual e material, envolvendo a libertinagem e também a sensualidade. É o “deixar-se dominar pelas paixões”. Consiste no apego extremado aos prazeres carnais, corrupção de costumes, sexualidade extrema e também a necessidade descontrolada de possuir bens materiais.

O vício da luxúria, do ponto de vista material, aprisiona quem busca ostentar as coisas que possui e não tem medo de perdê-las, ao contrário do avarento que busca incessantemente o acúmulo de bens sem conseguir doar ou compartilhar. As pessoas tomadas pela luxúria desejam as coisas mais caras e exclusivas simplesmente pelo desejo de esbanjar e mostrar para as pessoas a sua volta o que possuem. Mais tarde, quando se dão conta (e geralmente já é tarde demais!), o prazer só é atingido se ela for ao restaurante mais caro da cidade (independente se ele for bom ou não), se tiver relações sexuais compulsivamente e com muitas pessoas, se fizer viagens caríssimas no mínimo “cinco” vezes ao ano, se ela se hospedar num hotel “dez” estrelas, se comprar o carro mais caro, a roupa mais cara, e por aí vai!

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Tudo o que o indivíduo poderia estar usufruindo com encanto acaba sendo “consumido” de maneira degradada, sem vivenciar a experiência de fato. Perde-se a sabedoria do equilíbrio, bom senso e modéstia. A pessoa entra em uma espécie de “prisão de expectativas”, que jamais lhe permitirá tirar lições e aprendizados das coisas simples da vida. 

No âmbito profissional, a luxúria pode ser encontrada nas pessoas que lutam desesperadamente por status. São aquelas que cobiçam o poder e esbanjam suas posições. Normalmente, são essas pessoas que buscam as vantagens do poder ilimitado (apelando, sempre que necessário, à corrupção) e buscam satisfazer seus egos sem nenhum escrúpulo, buscando a reverência e a inveja dos outros.

Já a sensualidade como veículo para a luxúria nunca foi tão explorada como nos dias de hoje, estando presente na maioria dos meios de comunicação. O limite do bom gosto é ultrapassado em várias situações, em busca da maior audiência. Não é raro testemunharmos o apelo sexual como ferramenta utilizada nas propagandas, nas revistas, nas músicas, nos programas de TV e nos portais de notícia: os convites são muitos e constantes! Assim como as consequências: quando este tipo de obsessão chega a um extremo patológico, pode dar origem a abusos, violação, alcoolismo, vício em drogas e compulsões sexuais. Quando isso acontece, o melhor a se fazer é procurar ajuda profissional a tempo!

Estaríamos nós vivendo uma época de banalização do sexo, da sensualidade e do comportamento? E a busca da virtude, é possível?

Acredito que estamos vivendo sim, de certo modo, a banalização do sexo e da sensualidade na nossa sociedade. E para combatermos os excessos, que podem prejudicar significativamente o comportamento dos mais jovens, precisamos ter a coragem de “mudar de canal”. Buscar conteúdo que fortaleça o caminho da virtude. Afinal, somos muito influenciados pelo tipo de conteúdo que consumimos. E as boas programações existem, pode acreditar!

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Voltando à lógica de Aristóteles, a virtude residiria no meio termo. Precisamos aprender a dosar o prazer sexual e a sensualidade com o apreço à fidelidade e ao discernimento. Tarefa difícil, mas não impossível, que requer que nos observemos constantemente e tenhamos a consciência de que lutar contra o seu poder exige que façamos escolhas difíceis, que envolvem renúncia e desapego.

Então eu te pergunto, querido leitor: o que você tem feito para combater essa força tão poderosa que nos circunda no dia-a-dia?!

Lembre-se que, por trás de todo prazer desmedido, existe uma prisão que pode justamente privá-lo de seu maior direito: a sua liberdade!

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