Close

16 de dezembro de 2015

Rebeldes e despertos – Daniel Vianna

rp_12386749_927443723996779_230194392_n-1.jpg

O que Star Wars tem a nos ensinar sobre o período de transformação estrutural e social que estamos vivenciando…

Nesta quinta-feira, 17, estréia o mais novo episódio da franquia que revolucionou a história do cinema.

Ao rever os antigos episódios, pude notar algumas características que tornam esta série atemporal e o enorme potencial que os novos filmes possuem para arrebanhar uma nova leva de fãs.

Além da clássica luta entre o bem e o mal, é possível enxergar elementos bem peculiares, tanto do lado do Império Galáctico como no da Aliança Rebelde, e que podem servir de estímulo (ou alerta), para as instituições do mundo real: enquanto a primeira organização é caracterizada um estilo mais corporativo, engessado e linear, a segunda se caracteriza pelo voluntarismo e espontaneidade.

Ao assistir os episódios IV, V e VI, fica clara a inspiração no regime nazista para a composição do universo Imperial – desde os uniformes trajados pelos oficiais até os “métodos” nada convencionais para motivação e gestão de “recursos humanos”.

No todo-poderoso Império Galáctico, todos obedecem por medo. Perdi as contas de quantos oficiais Vader executa ao longo do episódio V (“O Império Contra-Ataca”), por se mostrarem incompetentes na perseguição do pequeno grupo rebelde. A hierarquia imperial é rígida e eficiente: mesmo se for só para respirar, precisa-se de autorização! Até mesmo o grande vilão da série – Darth Vader – não ousa desafiar o Imperador até os “quarenta e cinco do segundo tempo” do episódio VI (“O Retorno de Jedi”).

12366633_927025890705229_867272776_n

Outros elementos como as naves imperiais e a própria Estrela da Morte são estruturas pesadas, gigantescas e monolíticas: representam o peso do corpo Imperial, sua monotonia e pouca diversificação. Até mesmo no quadro de pessoal isto pode ser constatado: os soldados imperiais são basicamente seres humanos (com exceção de Vader, um híbrido de homem e máquina) que vestem uniformes conforme o nível hierárquico, e cumprem à risca os papéis para os quais são designados. Desvios não são permitidos, com a pena de ser estrangulado à distância!

989411_927496583991493_600986409_o

Do outro lado da galáxia, temos a Aliança Rebelde. Ao contrário do quadro imperial, encontramos uma forte união de povos e raças de vários planetas, movida por um ideal de liberdade. Todos se mobilizam, e ao mesmo tempo ninguém é forçado a fazer o que não quer.

12386536_927452013995950_1328097781_n

Por exemplo, na convenção rebelde mostrada em O Retorno de Jedi, estabelecida para o ataque derradeiro à segunda Estrela da Morte, percebemos que o numeroso e heterogêneo grupo de rebeldes acaba se organizando em células, quando partem para a ação, e cada um desenvolve o papel com o qual se sente mais confortável. Desta forma, o grupo de Han Solo se voluntaria para uma pequena expedição com o objetivo de destruir o escudo defletor da Estrela da Morte, na lua florestal de Endor.

Outro aspecto interessante é que o filme faz questão de “escancarar” as diferenças entre a frota Rebelde e a frota Imperial: a primeira perde de goleada em termos de quantidade e poder de fogo para a segunda.

Por outro lado, em termos de ousadia, motivação e capacidade de adaptação frente às adversidades, a Aliança Rebelde é insuperável. Não esqueçamos que o elemento surpresa para a destruição do Império foram os Ewoks (os bichinhos mais encrenqueiros e “fofs” da galáxia). Somente os rebeldes, com a sua empatia e boa vontade em dialogar e interagir com outros povos (de forma não agressiva), tornou possível essa união tão inesperada (claro que C3PO – o célebre andróide protocolar – teve o seu papel na hora de realizar as traduções!). Não poderíamos deixar de mencionar o ingrediente flexibilidade: afinal, os Rebeldes contaram com a nave mais versátil das galáxias, a célebre Millenium Falcon – que já havia sobrevivido a um campo gigantesco de asteróides, aterrissado no estômago de uma gigantesca minhoca alienígena e “tirou um cochilo” na superfície de um cruzador imperial!

Ao nos depararmos com as características apresentadas pelos dois lados, fica claro que tamanho estrutural, poder de fogo e número de homens não são o suficiente para dominar a galáxia. É necessário o algo a mais!

E como podemos trazer estes elementos apresentados pela saga para as nossas vidas?

Creio que o primeiro exercício a se fazer é se perguntar se temos conduzido nossas vidas como um oficial Imperial ou como um membro da Aliança Rebelde. Temos agido por medo ou por um ideal? Temos nos submetido a estruturas escravizantes ou estamos dando espaço à nossa intuição (que os mais ousados se arriscariam a chamar de Força)?

O mundo moderno tem mudado a uma velocidade impressionante, quase comparável com a da Millenium Falcon! Estruturas pesadas e lentas tem perdido cada vez mais espaço para estruturas mais leves e flexíveis, pois estas são mais rápidas e dinâmicas na apresentação de soluções (alô, empreendedores?!). O mundo moderno apresenta muitos problemas para serem endereçados e tempo é um recurso cada vez mais escasso.

No contexto social, não há mais espaço para preconceitos e julgamentos. Os que ainda insistem, são denunciados e expostos. Todos são (ou deveriam ser) bem-vindos, assim como na Aliança Rebelde. E todos, sem exceção, devem agir. Não há mais espaço para corpo-mole. Todos são essenciais, cada qual com o seu papel! E, cada vez mais, o mundo precisará de menos seguidores de “ordens imperiais”, e mais de rebeldes autênticos e despertos, prontos para fazer a diferença com atitudes corajosas e inovadoras.

Este é o caminho que a Aliança Rebelde nos ensina. E, nesta direção, a nossa sociedade se move, na velocidade e da forma como pode, enfrentando muitos percalços pelo caminho. Mas o importante é que estamos caminhando.

E você, caro leitor? Como tem atuado perante os novos desafios? Tem agido ou tem se escondido?

1960361_927025810705237_666143248_n

Desejo sinceramente que aproveite bastante a sua sessão de cinema. Compre o seu balde de pipoca e relaxe! Assim como você, também sou um grande fã da série e não vejo a hora de ver o clássico letreiro introdutório subindo lentamente, acompanhado pela magnífica música-tema! Mas insisto que você não deixe de lado a oportunidade para a reflexão, pois temos muito a aprender com esta saga épica e atemporal!

Comentários

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *